Tudo sobre o aleitamento materno

Composição do leite materno

Por isso, o leite materno se comporta como um fluido vivo e mutável conforme as necessidades da criança, modificando assim, tanto em composição como em volume, em função das necessidades. Esta regulação levada a cabo, sobretudo, a demanda da criança e a sucção que ele efectue sobre as glândulas mamárias. Uma maior sucção aumenta os níveis de prolactina e a secreção láctea da mãe, ou seja, maior a sucção, maior a produção de leite.

De aqui, que seja um alimento superior frente aos sucedâneos do leite materno, pois varia em sua composição ao longo da lactação, ao longo do dia e até mesmo varia ao longo da tomada.

Podemos encontrar diferentes tipos de leite produzidos pela glândula mamária:

  • Colostro: fluido amarelado e espesso, rico em proteínas, vitaminas lipossolúveis (E, A, K) e minerais como zinco, ferro, selênio, manganês e enxofre. Também tem um elevado conteúdo de imunoglobulinas (IgA), entre outros fatores defensivos, que protegem o bebê no início da vida. Sua produção dura cerca de 4 dias depois do parto.
  • Leite de transição: é a que ocorre entre os dias 4 e 15 após o parto. O início deste tipo de leite é o que chamamos de a subida do leite e o seu volume e composição irão mudando até atingir a composição do leite maduro.
  • Leite maduro: é um alimento completo, pois contém água (88%); proteínas em quantidade adequada para o crescimento ideal da criança, com uma importante fonte de aminoácidos essenciais; hidratos de carbono, com a lactose, o principal açúcar entre outros oligasacáridos; gorduras, que se encontram em uma proporção elevada (40-50%) já que será a principal fonte de energia do bebê. Também contém todos os minerais e vitaminas que a criança necessita.

Quanto à relação entre a alimentação da mãe e a composição do leite, existe uma correlação nas quantidades de vitaminas, que varia em função da ingestão da mãe e a qualidade dos ácidos graxos, principalmente pela ingestão de ácidos graxos essenciais. Também pode ser afetada pela quantidade de iodo e flúor no leite, dependendo da ingestão materna.

O resto de nutrientes e princípios imediatos (hidratos de carbono, proteínas e gorduras) mantém um nível constante no leite materno, apesar de uma deficiência na ingestão da mãe, já que para a produção de leite são utilizados os existentes na circulação materna provenientes de suas reservas.

Influência da hidratação no leite materno

Da mesma forma, a quantidade de líquidos ingeridos não influencia o volume de leite, embora as mulheres tendem a sentir mais sede durante a amamentação. Uma importante desidratação da mãe diminuirá o volume da urina essa, mas apenas o fará o volume de leite.

Benefícios da amamentação

Atualmente, há estudos e evidências científicas de sobra que lista todos os benefícios, a curto e longo prazo, que traz o leite materno, tanto para o bebê amamentado como a mãe que alimenta. Entre eles destacam-se:

  • Alimento inócuo, acessível e fácil de obter
  • Adapta-Se às necessidades de cada momento
  • Contém componentes imunológicos
  • É de fácil digestão
  • Apresenta uma baixa carga de solutos
  • Reduz o risco de apresentar síndrome de morte súbita
  • Propicia uma boa saúde durante toda a vida para as crianças
  • Melhores resultados em testes de inteligência para adolescentes e adultos que foram amamentados
  • Ajuda a reduzir o sangramento pós-parto
  • Favorece a involução do útero da mãe
  • Ajuda a mãe a se recuperar mais rápido o seu peso normal e reduz as taxas de obesidade
  • Reduz o risco de câncer de mama e de ovário no futuro
  • Cria um vínculo afetivo mãe e filho

No entanto, os estudos mais recentes centram-se em mostrar os possíveis riscos que podem ocorrer com uma alimentação a partir de sucedâneos do leite materno. Como conclusão destes, há evidências suficientes para afirmar que os bebés não amamentados estão expostos a um maior risco de morbidade e mortalidade e geram um importante custo econômico e social.

Não obstante, se a sua escolha é não dar o peito, estão no seu direito e é tão respeitável como a que decide sim dar. É importante que se esta é a sua decisão, seja uma decisão livre e tomada depois de ter recebido toda a informação sobre os benefícios da amamentação e os riscos que pode acarretar dos sucedâneos do leite materno, bem como os inconvenientes adicionados a esta última (maior gasto económico familiar, entre outros), das mãos de um profissional de saúde especializado em temas de aleitamento materno.

Casos em que a amamentação não é a melhor opção

Por outro lado, também existem os casos em que a amamentação não é recomendada e pode causar sérios problemas tanto para o bebê como para a mãe. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em uma de suas publicações sobre “A Saúde da mãe, o recém-nascido, da criança e do adolescente”, descreve quais são essas condições de saúde que não amamentar, de forma temporária ou permanente, poderá justificar-se:

  • Lactentes que não devem receber leite materno ou outro leite, exceto fórmula especializada:Lactentes com galactosemiaLactantes com doença da urina de xarope de arceLactantes com fenilcetonúria
  • Recém-nascidos para quem o leite materno é a melhor opção, mas podem necessitar de outros alimentos por um período limitado:Lactentes com peso inferior a 1500gLactantes com menos de 32 semanas de gestaciónRecién nascido com risco de hipoglicemia
  • Afecções maternas que podem justificar que se evite a amamentação permanentemente:
  • Afecções maternas que podem justificar que se evite a amamentação temporariamente:Doença grave, como por exemplo septicemiaHerpes simplex Tipo I (HSV-1)Medicação materna:Medicamentos psicoterapeúticos sedativos, antiepilécticos, opióides e seus combinacionesEl uso de iodo radioativo-131Uso excessivo de iodo ou yodóforos tópicosQuimioterapia citotóxica

Situação atual do aleitamento materno em Portugal

Por último, para ver a situação atual do aleitamento materno, o Grupo de Trabalho Português da iniciativa Global de Aleitamento Materno (Global Breastfeeding Iniciative) apresentou, no passado mês de julho os resultados da “Pesquisa Nacional sobre Hábitos de Amamentação”.

Nessa pesquisa observou-se que 89% das mulheres estava dando ou tinha dado o peito e apenas 11% tinha optado por não dar principalmente por ter tido problemas na formação anteriores e porque não lhe havia feito a leite.

89% das mulheres que sim amamantaron, apenas 38%, o que tinha feito até os 6 meses e 18% até os dois anos. Entre os principais motivos para suspender o aleitamento materno, encontramos, por ter menos leite , seguido da necessidade de incorporar à atividade de trabalho.

Apesar disso, as mães sabem que a amamentação é a melhor forma de alimentar seu filho, já que consideram que o protege de doenças e infecções e é o método mais natural.

Conclusões

Para eliminar as possíveis barreiras que dificultam a amamentação e que esta seja a mais satisfatória possível, é importante a ajuda de profissionais de saúde, da família e dos grupos de apoio que acompanham a mãe em toda esta etapa. Em Alimmenta nós podemos ajudá-lo a conseguir uma amamentação bem sucedida.