Fadiga crônica: diagnóstico, sintomas e dieta

Causas e sintomas da fadiga crônica

Primeiramente, há que sublinhar que se desconhecem as causas tanto do SFC como da SQM e FM1,6,7,9,10,13. Por este motivo refere-se a esses três processos como “síndrome” e não a doença, já que, rigorosamente, se fala de doença, quando se conhece a causa da misma4. Apesar de que o SFC não é de aparecimento recente, mas que provavelmente tenha existido sempre, sem ser reconhecida, ou bem sob diversas denominações, como a doença é recente identificação e a investigação médica existente não é suficiente3,10.

Por este motivo, hoje se afirma que o SFC é uma doença de origem e mesentéricos(3) ainda desconhecidos que apresenta uma etiologia(4) multifactorial1,14,15.

Hipótese I

Em qualquer caso, conhecer o significado do termo sensitivización central, antes mencionado, pode ajudar a abordar as possíveis causas (etiologia), bem como os mecanismos de actuação destas causas sobre o organismo para produzir a doença (htlv), do SFC e das patologias associadas.

Sensitivización central descreve uma hipótese patogênico que estou querendo dar uma explicação para a sobreposição de padrões, ou seja, a situação proporção de jovens de SFC, SQM e FM6. Com esta hipótese defende que essas três situações clínicas têm uma submucosa común6. De fato, a frequente associação da SQM com a SFC e a FM obriga a pensar que há pontos etiológicos e fisiopatológicos(5) comunes6. Em relação à etiologia, foi identificado o desenvolvimento de SFC após a exposição a vários produtos tóxicos, como solventes, monóxido de carbono, ciguatera(6) e insecticidas3,10,15. Neste sentido, foi descrito a potencial participação dos inseticidas como fator desencadeante tanto de SFC como de SQM3,6,15. Assim, tem-se observado que produtos químicos como biocidas (pesticidas), hidrocarbonetos, irritantes e compostos orgânicos voláteis (síndrome do edifício enfermo (SEE)) são encontrados com grande frequência implicados como fatores indutores ou desencadeantes de SFC e SQM3,6.

A nível fisiopatológico, o ponto comum é rastrearia no sistema nervoso central (SNC), afetando o sistema límbico, o que daria lugar a uma sensibilização neurobiológica2,6. Com esta hipótese patogênico se faria referência a processos de sensibilização central que cursam com aumento e prolongamento da excitabilidade neuronal do SNC através de mecanismos neuroquímica comuns e de alteração de neurotransmisores6,7. Tudo isso comportaria uma diminuição do nível de alerta para a sensação de fadiga (SFC), a percepção olfativa (SQM) e a percepção de dolor6. Ou seja, a alteração das estruturas de percepção (sistema límbico e córtex cerebral) seria a base patogênico da alteração que provocaria uma resposta excessiva diante de um estímulo sensorial de qualquer tipo (hipersensibilidade) como consequência de um aumento da sensibilidade ou resposta biológica do organismo contra a exposição a um agente externo (sensitivización)6.

Deste modo, através do conceito sensitivización central se estaria tentando dar resposta ao fenômeno proporção de jovens de SFC, SQM e FM, juntamente com outras doenças relacionadas com a sensibilidad6.

Hipótese II

Notou que os agentes infecciosos como causa do SFC dado que se observa em pacientes com infecções que antecedem o início do SFC3,10. Tanto é assim que em mais da metade dos casos o fator desencadeante é uma infecção viral9,15.

Portanto, está associada ao início da doença com uma infecção viral desencadenante3. Tentando explicar o por que de os sintomas o SFC, se estabelece como base uma disfunção inmunobioquímica que causa esse proceso3. Deste modo, chega-se a concordar que a etiologia ou fator desencadeante da doença é variado, embora no início do SFC, predomina a presença de infecção vírica3. De acordo com o exposto, tem-se sugerido uma relação entre a suscetibilidade psicológica individual, o estresse e doenças orgânicas através de uma possível deterioração da imunidade, que, por isso, causa uma sensibilidade aumentada às infecciones14. Também se afirma que alguns fatores fisiológicos e psicológicos predispõem e mantêm os síntomas14.

Para tentar compreender as causas do SFC, também são estudados os mecanismos de produção de fatiga3. Não obstante, os conhecimentos atuais sobre esses mecanismos são escasos3.

A quem afeta (epidemiologia)

A prevalência é estimada entre 0,2 e 0,5% da população geral, mas também foi calculada a prevalência populacional de 1%1,3,10,16. Com estes dados, se projetaria uma média de SFC entre 20.000 a 35.000 pessoas na Catalunha e de 200.000 España8,10.

O SFC apresenta-se habitualmente em pessoas de idades compreendidas entre os 20 e 40 anos, existindo um predomínio entre 3 e 6 vezes superior no sexo feminino que no masculino1,3,10.

Características clínicas

fadiga crônicaAs principais manifestações clínicas do SFC, presentes entre 70-100% das pessoas afetadas, referem-se a fadiga, alteração da concentração, cefaléia, faringite, adenopatías (cervicais ou axilares) e dor muscular (mialgia) e articular (poliartralgia), sem sinais inflamatorios3,10. O sintoma de fadiga é persistente e incapacitante diante de pequenos esforços, não melhora com o repouso e piora por sobreesfuerzos mínimos, o que resulta em um grau importante de incapacidade para as atividades da vida cotidiana1,3,10. São manifestações dolorosas do SFC a enxaqueca ou a cefalalgia tensional, a dor temporomandibular e as parestesias distales10. Além disso, são comuns os distúrbios do ritmo do sono, que faz com que este não seja reparador10. Também existe sintomatologia de secura de mucosas bucal, conjuntival e genital10. Algumas pessoas afetadas desenvolvem sensibilidade a alguns alimentos, à exposição a produtos químicos voláteis ou de contato, intolerância a radiações electromagnéticas ou a alterações térmicos10. Na tabela abaixo é possível observar as principais manifestações clínicas do SFC:

PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DO SFC

Percentagem (%) de pessoas afetadas

Fadiga

100

Alteração da concentração

90

Dor de cabeça

90

Faringite

85

Adenopatías

80

Dor muscular

80

Dor articular

75

Febrícula / Distermia

70

Alteração do estado de ânimo

65

Insônia

65

Síndrome seco

60

Alergia / Sensibilidade

40

Adaptação.

  • Fernández-Solà J. coordenador. Sobreviver ao cansaço. Uma aproximação à situação de fadiga crônica. 2ª ed. Barcelona: Viena Edições; 2003.
  • Col·legi Oficial de Metges de Barcelona. Quaderns de Bona Praxi. [monografia na Internet]. Barcelona: Col·legi Oficial de Metges de Barcelona; 2007 [acesso em 19 de julho de 2013]. Disponível em: http://www.comb.cat/cat/actualitat/publicacions/bonapraxi/praxi24.pdf

Além disso, a sintomatologia do SFC caracteriza-se pela combinação e sobreposição de sintomas que correspondem a doenças distintas6:

Sobreposição de outras doenças com o SFC

Adaptação.

  • Fernández-Solà J. coordenador. Sobreviver ao cansaço. Uma aproximação à situação de fadiga crônica. 2ª ed. Barcelona: Viena Edições; 2003.
  • Fernández-Solà-J, Nogué Xarau S, editores. Química. Sobreviver em um ambiente tóxico. 1ª ed. Barcelona: Viena Edições; 2011.
  • Col·legi Oficial de Metges de Barcelona. Quaderns de Bona Praxi. [monografia na Internet]. Barcelona: Col·legi Oficial de Metges de Barcelona; 2007 [acesso em 19 de julho de 2013]. Disponível em:
  • http://www.comb.cat/cat/actualitat/publicacions/bonapraxi/praxi24.pdf

Diagnóstico

O SFC é uma entidade clínica bem definida, onde deve existir uma fadiga prolongada de causa não explicada e para o seu diagnóstico deve cumprir com os critérios clínicos específicos adotados internacionalmente pelo Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Atlanta (Estados Unidos da América)3,10. Estes critérios são conhecidos como Critérios diagnósticos do SFC de Fukuda (1994). Para o diagnóstico de SFC devem ser excluídas outras causas reativas de fadiga, como o stress ou sofreesfuerzo, já que a fadiga em SFC não é reativa a estas situações, ou outras doenças orgânicas e psiquiátricas inductoras de fadiga crônica, como anemia ou hipotiroidismo3,6. Também deve haver uma coexistência de sinais ou sintomas (critérios associados) baseados fundamentalmente na sintomatologia muscular e neuropsicológica3. O diagnóstico em SFC é clínico(7), por não existir nenhum marcador analítico ou morfológico específico3,9. Como nem todas as pessoas afetadas SFC têm o mesmo grau de comprometimento, o SFC pode ser classificado como de grau I a IV10.

As pessoas que apresentam fadiga crônica não explicada, mas que não reúnem os critérios de SFC, entrariam em situação de fadiga crônica idiopática9.

A seguir mostram-se os critérios diagnósticos para a definição do SFC3:

Critérios diagnósticos do SFC (Fukuda et al., 1994)

1. Fadiga crônica persistente (mínimo 6 meses) ou intermitente.É inexplicada, que se apresenta de novo ou com início definido e que não é resultado de esforços recentes; não melhora claramente com o repouso; ocasiona uma redução considerável dos níveis anteriores de atividade diária do paciente.2. Exclusão de outras doenças potencialmente causadores de fadiga crônica.De forma concomitante, devem estar presentes 4 ou mais sinais ou sintomas que se relacionam, todos eles persistentes durante 6 meses ou mais, e após a apresentação da fadiga:1. Distúrbios de concentração ou memória recentes.2. Odinofagia (deglutição dolorosa).3. Adenopatías cervicais ou axilares dolorosas.4. Mialgias.5. Poliartralgias, sem sinais inflamatórios.6. Cefaléia de início recente, ou de características diferentes da habitual.7. Sono não reparador.

8. Mal-estar postesfuerzo de duração superior a 24 h.

  • Fernández-Solà J. coordenador. Sobreviver ao cansaço. Uma aproximação à situação de fadiga crônica. 2ª ed. Barcelona: Viena Edições; 2003.
  • Fernández-Solà-J, Nogué Xarau S, editores. Química. Sobreviver em um ambiente tóxico. 1ª ed. Barcelona: Viena Edições; 2011.
  • Grupo de Trabalho da Síndrome de Fadiga Crônica da Catalunha. Documento de consenso sobre o diagnóstico e tratamento da síndrome de fadiga crônica na Catalunha. Med Clin (Barc) [periódico na Internet]. 2002. [acesso em 19 de julho de 2013]; 118(2):[73-6]. Disponível aqui.

Tratamento da fadiga crônica

Atualmente não se dispõe de um tratamento curativo para o SFC3,8,10. No entanto, é possível melhorar a intensidade dos sintomas e da qualidade de vida da pessoa através de tratamento sintomático10. O tratamento deve ser interdisciplinar e inclui exercício físico gradual, técnicas de educação da doença, apoio psicológico através da terapia cognitivo-comportamental (TCC) e tratamento sintomático farmacológico3,9,10.

Em relação ao tratamento dietético-nutricional (dietoterapia) do SFC, por um lado, indica-se a necessidade de assegurar um equilíbrio dietético e nutricional adecuado3,17,18,19. Isso inclui a realização de uma dieta equilibrada, com um horário de refeições regular e hidratação abundante, evitar dietas hiperenergéticas, aumentar o consumo de ácidos gordos essenciais ómega-3 e evitar o alcohol3,17. Acrescenta, também, que pode ser útil a suplementação de vitaminas A, C e E, minerais como o magnésio e as coenzimas Q-10 e dinucleotide dinucleótido de nicotinamida e adenina (NADH)4,17. Também estabelece algumas diretrizes para o tratamento sintomatológico ante proporção de jovens para a síndrome seco e de cólon irritável, onde recomenda-se beber 1,5 L de água/dia e manter um hábito alimentar equilibrado e hidratação correta, respectivamente17.

Por outro lado, na hora de abordar o tratamento dietético-nutricional no SFC, há que ter em conta a SQM, para a qual não há tratamento específico e pode coexistir com o SFC como proporção de jovens asociada6. O correto controle da alimentação é fundamental para a estabilização da sintomatología6. No SQM é necessário avaliar as manifestações clínicas digestivas decorrentes da sensibilidade ambiental proveniente da alimentação, as quais inserem-se no processo denominado sensibilidade alimentar, também chamada de sensibilização digestiva, o qual não deve ser confundido com o de alergia e intolerância alimentaria6. Não obstante, há que ressaltar que no SQM as intolerâncias alimentares são intensifican6. Por este motivo, evitando os alimentos pior tolerados, que na população em geral costumam ser, por exemplo, a lactose ou glúten, os sintomas costumam mejorar6.

Cabe destacar que todos os componentes próprios ou aditivos que se encontram nos alimentos podem induzir sensibilidade alimentar, processo no qual ocorre uma rejeição no organismo perante o alimento ingerido6. Perante esta situação, entre outras coisas, aconselha-se comer de preferência, alimentos frescos, em vez de comida processada (preparada), limitando, assim, o consumo de alimentos e bebidas que contenham aditivos como corantes e conservantes, agentes sensibilizantes normalmente envolvidos em fenômenos de sensibilização química3,6. De acrescentar que, em relação aos alimentos frescos, devem ser limpas bem as verduras e frutas para reduzir o consumo de inseticidas ou herbicidas6. Para evitar a exposição a estes produtos sensibilizantes (aditivos que são adicionados aos alimentos, também é recomendado o consumo de alimentos ecológicos6.

Por tudo isso, diante da SQM se recomendam dietas hiposensibilizantes6. Ainda assim, a tolerância alimentar é pessoal e não pode generalizar-se, de modo que deve ser tratada individualmente a situação nutricional de cada persona6.

Conclusão

Em termos de tratamento dietético do SFC, como primeiro ponto indispensável, se faz referência à necessidade de seguir uma alimentação equilibrada3,17,18. Esta é uma pauta comum e aplicável tanto em indivíduos saudáveis como em outras situações patológicas. Em seguida, são feitas menções aos benefícios de uma correta suplementação nutricional que, em qualquer caso, deve ser de substituição de uma alimentação correta, mas que deve, em todo caso, completá-lo.

Foi possível observar que as manifestações clínicas do SFC são diversas, podendo ou não estar ligadas a outras doenças que também clinicamente com o SFC3. Também foram expostos breves recomendações nutricionais em relação à síndrome seco e de cólon irritável e sensibilidade alimentar. Por este motivo, o objetivo das próximas postagens será aprofundar a dietoterapia diante sintomatologia do SFC.