Doença de Crohn: sintomas e dieta personalizada

O que é a doença de Crohn?

Doença De Crohn

Ilustación da doença de Crohn

A doença de Crohn faz parte das chamadas doenças inflamatórias intestinais (EII) onde também se encontra a colite ulcerosa. Estas doenças desrespeitam o intestino alterando o seu funcionamento. São doenças crônicas que, portanto, não têm cura. Por esta razão, aprender como comer para evitar os surtos e melhorar os sintomas é muito importante.

Quem é afetado da doença de Crohn?

Afeta tanto homens como mulheres e costuma aparecer pela primeira vez entre os 15 e os 30 anos. A incidência em países industrializados é elevada, nomeadamente em Portugal é de 5,5 pessoas por 100.000 habitantes ao ano.

Causas da doença

A doença de Crohn é idiopática, ou seja, desconhece-se a sua causa. A genética parece ser um fator importante, já que quase 20% das pessoas com Crohn tem algum familiar com algum tipo de doença inflamatória intestinal.

Juntamente com a predisposição genética, existem fatores ambientais que podem favorecer a doença, como o tabaco, a poluição, dietas inadequadas (consumo de alimentos refinados), infecções, etc.

Sintomas

Os principais sintomas quando há um surto de Crohn são:

  • Diarreia com ou sem sangramento.
  • Dor abdominal.
  • Febre.
  • Perda de apetite.
  • Perda de peso.
  • Cansaço.
  • Úlceras da boca e gengivas.

Déficits nutricionais decorrentes da doença de Crohn

Existe o risco de morte por desnutrição protéico – energética (desnutrição devido a uma baixa ingestão de proteínas e de calorias). A maioria das pessoas com doença de Crohn é magro por ingerir alguns alimentos, já que têm falta de apetite, e, além disso, muitos encontram-se pior ao comer. No caso de crianças com doença de Crohn pode haver um atraso no crescimento.

Também é importante ter em conta que há medicamentos que são utilizados para tratar a doença de Crohn que favorecem a malabsorción de nutrientes:

  • Colestiramina: diminui a assimilação de gorduras e vitamina A,D,e e K.
  • Corticosteróides: afetam a absorção do cálcio e sua utilização em massa pode provocar insuficiência renal.
  • Salazopirina: diminui a absorção de vitamina B9 (ácido fólico).

Algumas pessoas podem desenvolver artrite e problemas articulares por uma malabsorción de minerais no intestino. A capacidade do intestino de absorver adequadamente os nutrientes depende da extensão e localização das áreas lesionadas pela própria doença. Maioritariamente costuma ter problemas para utilizar os seguintes componentes da dieta:

– Minerais:

  • Zinco: um défice deste mineral provoca uma queda na imunidade do organismo.
  • Magnésio: a falta de magnésio pode causar problemas musculares e do metabolismo do organismo.
  • Selênio: um défice de selênio provoca envelhecimento precoce e baixa proteção frente aos processos oxidativos.

– Vitaminas: existe uma carência múltipla de vitaminas. As mais afetadas são: A, E, B1, B2, B6, B9.

Alimentação para a doença de Crohn

Os principais objectivos da intervenção nutricional para pessoas com doença de Crohn são:

  • Avaliar e melhorar o estado geral da pessoa.
  • Evitar estados de desnutrição e subnutrição.
  • Aumentar de peso em casos onde seja necessário.
  • Diminuir a inflamação das áreas afetadas pelo Crohn.
  • Avaliar a existência de intolerâncias alimentares e alergias.
  • Melhorar o estado imunológico para evitar infecções e complicações da doença.
  • Prevenir estados de carência e déficits nutricionais que possam causas outras doenças comuns, como a osteoporose.
  • Proteger as mucosas internas.
  • Facilitar a digestão dos alimentos.
  • Corrigir e melhorar o trânsito intestinal.

Alimentação na fase de remissão ou assintomática

As orientações de alimentação das diferenciar em função do estágio da doença. Em fases de remissão, onde não sofrem com os sintomas da doença, recomendamos o seguinte:

– Na doença de Crohn, há que ter em conta se existem intolerâncias a alimentos.

– Ter uma dieta equilibrada e saudável.

– Fazer uma dieta insuficiente em calorias e proteínas para evitar a desnutrição.

Alimentos a evitar:

  • Espinafre, laranja, carnes frias.
  • Álcool, café e picantes.
  • Manteiga e produtos lácteos inteiros.
  • Alimentos flatulentos: repolho, couve-flor, cereais integrais, bebidas com gás, legumes com a pele.
  • Alimentos com sorbitol: doces, chicletes, refrigerantes light ou zero.

Alimentos para aumentar:

  • Peixe branco e carnes brancas (incluindo carne magra de porco).
  • Alimentos ricos em omega-3 tipo EPA: peixe azul.
  • Alimentos ricos em beta-caroteno: mamão, manga, cenoura, abóbora.
  • Germe de trigo, abacate, por sua vitamina E, C, selênio e zinco.
  • Azeite de oliva.
  • Bactérias lácticas: no caso de tolerar os lácteos pode dar iogurte. No caso contrário, o indicado seria tomar probióticos em forma de suplemento.
  • Alimentos que apresentem quercetina: cebola, maçã, couve lombarda, brócolis.

Alimentação durante um surto de Crohn

Quando há sintomas, há que modificar a alimentação em função do desconforto que sofra de cada pessoa. A alimentação durante esta etapa deve ser hipercalórica (alta em calorias), hipolipídica (muito baixa em gorduras), hiperproteica (alta proteína), com um baixo teor em fibra, anti-inflamatória, hidratante e de fácil digestão. De forma geral, recomendamos:

  • Evitar o consumo de fibra insolúvel proveniente cereais integrais e a pele das frutas.
  • Fazer uma dieta sem glúten e sem lactose (especialmente se houver diarreia).
  • Consumir alimentos que fornecem fibra solúvel em pequenas quantidades: doce de marmelo, maçã e pera cozidas/cozidas, cenoura cozida.
  • Evitar os alimentos ricos em gorduras. Consumir no máximo 1 colher de sopa de azeite de oliva por dia e de baixa acidez.
  • Facilitar a hidratação do corpo saciado: água, caldo vegetal, chá e soro oral.
  • Aumentar o consumo de beta-caroteno: abóbora, cenoura, abóbora, manga.
  • Tomar probióticos iogurte ou suplemento.
  • Fazer refeições de pequeno volume e espaçadas no tempo para facilitar a digestão. Fazer 6 refeições por dia.

Alguns alimentos recomendados são:

  • Peixe branco.
  • Arroz branco, macarrão de arroz e bolos de arroz
  • Presunto ibérico sem gordura.
  • Pão sem glúten.
  • Clara de ovo
  • Batata cozida.
  • É importante garantir uma boa ingestão de líquidos para evitar a desidratação.

Alimentos que tentaremos evitar são:

  • Queijos inteiros.
  • A Carne vermelha e carnes frias.
  • Pastelaria.
  • Manteiga, margarina e creme de leite.

Confecções recomendadas: fervido, vapor, microondas, papillote, forno à temperatura baixa ou moderada.

Para passar esta dieta a alimentação normal, há que fazê-lo de forma gradual e em pequenas quantidades.

Suplementação recomendada

A suplementação com produtos naturais deve sempre ir de a mão de uma alimentação correta. O nutricionista – nutricionista deve ser a pessoa que guie e orientação neste campo. Entre os produtos a avaliar de acordo com cada caso em particular, podemos contemplar:

  • Glutamina para melhorar a digestão, nutrir as células do cólon, reparar tecidos musculares e diminuir a diarreia e dor abdominal.
  • Ômega-3, óleo de prímula e óleo de borragem por seus efeitos anti-inflamatórios.
  • Probióticos para fortalecer a flora intestinal e melhorar o estado geral do intestino.
  • Enzima lactase para digerir melhor os lácteos.
  • Fibra solúvel: você pode tomar antes das refeições, para evitar o efeito laxante que produz a bílis.
  • Germe de trigo, pela sua contribuição em zinco.
  • Equinacea para melhorar o sistema imunitário.
  • Pólen pelo seu conteúdo em beta-caroteno.

O controle nutricional na doença de Crohn

Os nutricionistas – nutricionistas de Alimmenta te podemos ajudar a planejar uma dieta personalizada para melhorar seus sintomas e aumentar a sua qualidade de vida através de uma alimentação saudável e equilibrada.